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domingo, 2 de abril de 2023

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL

Eu sou um livro, lê-me. por Vagelis Iliopoulus 

Eu sou um livro. 

Tu és um livro. 

Todos somos livros. 

A minha alma é a história que conto. 

Todos os livros contam a sua história. 

Podemos parecer muito diferentes - 

uns grandes, uns pequenos, 

uns coloridos, uns a preto e branco, 

uns com poucas páginas, outros com muitas. 

Podemos dizer coisas parecidas ou completamente diferentes, 

é essa a nossa beleza. 

Seria aborrecido sermos todos iguais. 

Cada um de nós é único. 

E cada um tem direito a ser respeitado, 

a ser lido sem preconceito, 

a ter espaço na tua biblioteca. 

Podes ter uma opinião sobre mim. 

Podes querer questionar ou comentar o que lês. 

Podes voltar a arrumar-me na prateleira 

ou ficar comigo perto, a viajar durante muito tempo. 

Mas nunca deixes que ninguém se livre de mim 

ou me mande para outra estante. 

Nunca peças que me destruam, nem permitas que o façam. 

E se outro livro chegar vindo de outra estante, 

porque algo ou alguém o afastou, 

abre espaço. 

Ele cabe junto a ti. 

Tenta sentir o que ele sente. 

Compreendê-lo. Protegê-lo. 

Podes um dia estar no seu lugar. 

Porque também tu és um livro. 

Somos todos livros. 

Vá, di-lo bem alto para que todos te ouçam. 

«Eu sou um livro, lê-me.» 


Tradução de Ana Castro a partir do inglês

quinta-feira, 1 de abril de 2021

2 de abril - Dia Internacional do Livro Infantil

No dia 2 de abril, comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen.

A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.

Como é habitual, para assinalar este dia, a DGLAB disponibiliza um cartaz, este ano da autoria do ilustrador Bernardo P. Carvalho, vencedor do Prémio Nacional de Ilustração em 2020.

O IBBY internacional convida anualmente um país a dar o mote e a escrever um texto alusivo à literatura para a infância. Este ano da responsabilidade dos Estados Unidos, o texto é da autoria da escritora cubano-americana Margarita Engle.


 
A música das palavras

Quando lemos, crescem-nos asas na mente

Quando escrevemos, cantam os dedos.

Palavras são batuques e flautas na página

altos trinados, elefantes bramindo,

rios que correm, águas caindo,

pirueta de borboleta

longe no céu!

As palavras convidam à dança – ritmos, rimas, batidas

das asas, do coração, dos cascos no chão, contos velhos e recentes,

fantasias e verdades.

Quer estejas quentinho em casa

ou a atravessar o mundo para uma terra diferente

e uma língua estranha, as histórias e poemas

pertencem-te.

Quando partilhamos palavras, a nossa voz

torna-se a música do futuro,

alegria, amizade e paz,

a melodia

da esperança.

Margarita Engle  (tradução de Ana Castro)

A ideia do cartaz deste ano, da autoria de Bernardo P. Carvalho, é um dos versos do poema, «Quando lemos, crescem-nos asas na mente». É que cada livro que uma criança espreita com emoção desperta nela sensações únicas e traz-lhe «a melodia da esperança».

Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/noticiasEventos/Paginas/diainternacionaldolivroinfantil2021.aspx


sábado, 30 de março de 2013

2 de abril - dia internacional do livro infantil



A mensagem deste ano: "Alegria dos livros à volta do mundo"


Lemos juntos, tu e eu. 


Vemos que as letras formam palavras
e as palavras se transformam em livro
que seguramos na mão.


Ouvimos murmúrios
e rios agitados correndo pelas páginas,
ursos que cantam à lua
melodias divertidas.

Entramos em castelos misteriosos
e das nossas mãos crescem árvores em flor
até às nuvens.

Vemos meninas corajosas que voam
e rapazes que pescam estrelas cintilantes.
Tu e eu lemos, dando voltas e mais voltas,
alegria dos livros à volta do mundo.


Pat Mora (tradução de Maria Carlos Loureiro)


O Dia Internacional do Livro Infantil – 2 de Abril – é indissociável da memória do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, que nasceu precisamente nesta data, corria o ano de 1805. Contos como «O patinho feio», «O fato novo do rei», «O valente soldadinho de chumbo», «A Ondina», «A rapariguinha dos fósforos» e muitos outros são lidos atualmente por crianças em todo o mundo, contribuindo para o diálogo entre culturas e para uma comunhão humana em torno da leitura (tão necessária em tempos de crise). E embora a data nem sempre seja propícia a grandes manifestações em torno do livro – já que coincide, frequentemente, com períodos de férias escolares – constitui, pelo menos, um momento privilegiado de reflexão sobre dois temas: por um lado, o valor e a importância da leitura e, por outro, a relevante função social, lúdico-estética e educativa dos livros infantis e juvenis de qualidade – insubstituíveis se queremos ter como horizonte uma sociedade de leitores. Trata-se ainda de uma data em que as bibliotecas estão em festa e a cumprir um dos seus papéis cívicos e culturais mais nobres. O que suscita uma nota sobre a função nuclear de mediação entre o livro e o leitor que cabe a pais, educadores de infância, professores, bibliotecários e técnicos de animação, e uma outra sobre a urgência do alargamento a todos os concelhos do país da inestimável Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e, a todas as escolas, da Rede de Bibliotecas Escolares.
Em 1999, o escritor e ilustrador espanhol Miguel Angel Fernández-Pacheco propunha-nos uma mensagem que pode funcionar como indicador do espírito que deveria prevalecer neste dia. Lembremos esse texto:

«Já sei que és muito velho, que tens milhares de anos. Sei que o teu coração anda por toda a parte, milhões de vezes repartido por centenas de milhar de bibliotecas. Sei que te proibiram muitas vezes e te queimaram outras tantas. Porém quero-te como se tivesses nascido ontem, como se foras só meu, e como se a tua salvação dependesse de mim.
E como havia de te não querer se já vivi tanto à tua luz e à tua sombra, se já sonhei tantas vezes contigo entre as mãos, se, graças a ti, escapei à dor e pude enfrentar a injustiça, se acabaste por te converter na minha memória inteira, e, melhor ainda, na memória inteira da minha espécie?
Por isso sinto que te amei desde menino e te amarei sempre. Por isso posso gritar que és a melhor ferramenta da minha liberdade e da liberdade de todos.
Reconheço que devo parecer exaltado, admito até que as pessoas sorriam ao ouvir estas coisas, mas nós, os namorados, somos assim. Na verdade não me envergonho, sinto-me, sim, orgulhoso dessas noites em claro passadas a teu lado... Dessa vibração emocionada, cada vez que te descubro... Da pena de te perder e da alegria de te reencontrar, e até da ansiedade que me consome se não te tenho à mão.
Confesso que me cega a paixão se digo que, de tudo o que os homens fizeram, és tu o melhor e o maior, meu livro, meu amor...» 
(Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil, IBBY, 1999)

Esta espécie de declaração de amor ao livro (que não poderá ser lida como mais um discurso piedoso como tantos outros) deve ser encarada também como homenagem aos criadores e ao seu talento. Falemos então desse dom de criar mundos possíveis, de nos fazer viajar no tempo e no espaço e de vibrar com as mais inacreditáveis aventuras, de proporcionar emoções contraditórias e de consolidar em nós a noção de alteridade. Falemos ainda da curiosidade em relação a outras culturas e da abertura de horizontes que o livro proporciona – desígnios fundamentais nos tempos que correm, em que a intolerância étnica e cultural e a guerra (a real e a económico-financeira e social) estão na ordem do dia. Tudo, enfim, graças a esse «sabor dos sabores» que é a palavra (a expressão é de Luísa Dacosta).
No passado, alguns autores produziram livros capazes de sobreviver ao desgaste do tempo – e não apenas por terem sido eventualmente escritos para um público infantil. As narrativas, textos dramáticos, poemas ou álbuns de Perrault, Jeanne-Marie Leprince de Beaumont, Jacob e Wilhelm Grimm, Collodi, Lewis Carroll, Edward Lear, Mark Twain, Stevenson, Jules Verne, Salgari, Beatrix Potter, James M. Barrie, L. Frank Baum, Dr Seuss, Edith Nesbit, Kenneth Grahame, A. A. Milne, Erich Kästner, Michael Ende, Geoffrey Trease, Roald Dahl, Scott O’Dell, Virginia Hamilton, Margaret Mahy, Monteiro Lobato, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Vinicius de Moraes, Gloria Fuertes, María Elena Walsh, Jean de Brunhoff, Shel Silverstein, Leo Lionni, Max Velthuijs, Maurice Sendak, Mario Ramos, mas também de Ana de Castro Osório, Afonso Lopes Vieira, Aquilino Ribeiro, Jaime Cortesão, António Sérgio, Maria Lamas, Pessoa (leiam-se os seus versos para crianças), Carlos Amaro, José Gomes Ferreira, Henrique Galvão, Olavo d’Eça Leal, Fernanda de Castro, Adolfo Simões Müller, Ricardo Alberty, Redol, Ilse Losa, Sidónio Muralha, Alice Gomes, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, Papiniano Carlos, Matilde Rosa Araújo, Leonel Neves, Carlos Pinhão, Mário Castrim, Couto Viana, Manuel António Pina e tantos outros deixaram na sombra muitas obras de contemporâneos seus, essencialmente dirigidas a adultos, quantas vezes rodeadas de uma aura efémera, mas hoje votadas ao esquecimento.
As leituras para a infância e a juventude dos nossos dias não podem, contudo, limitar-se a estes clássicos. Nem podem ignorar a leitura da ilustração. Igualmente merecedores de tributo, artistas da imagem como Raul Lino, Raquel Roque Gameiro e sua irmã Mamia Roque Gameiro, Sarah Afonso, Augusto Gomes, José de Lemos, Tòssan, Júlio Resende, Maria Keil, Leonor Praça, António Lucena e muitos outros (quantos esqueci?) ilustraram narrativas, poesia ou textos dramáticos de qualidade literária. Tantos e tantos nomes (incluindo os que aqui não recordei, a par de todos os vivos e activos) que, no dia 2 de Abril, merecem ser lembrados, mas cujas obras são em geral esquecidas nos tradicionais compêndios de história literária.
A criatividade e a imaginação destes escritores e destes ilustradores permitirão talvez que, no futuro, muitos dos leitores que ajudaram a formar possam vir a dizer algo de semelhante ao que Marcel Proust escreveu um dia: 

«Talvez não haja na nossa infância dias que tenhamos vivido tão plenamente como aqueles que pensamos ter deixado passar sem vivê-los, aqueles que passamos na companhia de um livro preferido.»

José António Gomes 
NELA (Núcleo de Estudos Literários e Artísticos da ESE do Porto)